Por Brunella Tristão Simonelli
Setembro vem aí. Desde 2015 acompanhamos uma campanha muito importante: o setembro amarelo. O dia 10 é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas ao longo de todo mês vemos diversas estratégias de conscientização sobre o tema.
Quando analisamos os números damos ainda mais importância a esse movimento. Afinal, mais de 700 mil pessoas se suicidam por ano no mundo e se considerarmos as subnotificações esse índice pode se aproximar a 1 milhão. Só no Brasil são 14 mil casos anualmente, o que equivale a uma pessoa a cada intervalo de 38 a 45 minutos.
Cerca de 96% dos casos de suicídio estão associados a transtornos mentais, como depressão, ansiedade, transtorno afetivo bipolar, entre outros.
Bem, eu questionei no título desse artigo o que deve vir antes da campanha. Explico: é que antes de prevenirmos os episódios de suicídio, precisamos ser proativos e criar estratégias de promoção de saúde mental. Esse é um tema que deve ocupar todos os espaços: as escolas, as instituições de saúde, as associações comunitárias e, claro, as empresas.
Sim; as empresas. Há muitos aspectos da dinâmica do trabalho que podem agravar ou causar o adoecimento mental. Por esse motivo o Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), propõe o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, trazendo esse caráter preventivo.
O que se pretende é que tenhamos ambientes de trabalhos seguros e sadios, por exemplo, mitigando as incidências de assédio moral, sexual e organizacional, certos de que essas são causas importantes de adoecimento entre os trabalhadores.
O que quis dizer, portanto, é que antes de prevenirmos as incidências alarmantes dos casos de suicídio, devemos prevenir, de forma mais ampla, o próprio adoecimento mental.
Nesse sentido, as ações podem incluir políticas de prevenção ao assédio, fortalecimento da cultura organizacional, um programa de desenvolvimento de líderes, o monitoramento constante, além, claro, de conscientizar os colaboradores sobre questões relacionadas à saúde mental, desmistificando o estigma em torno do adoecimento.
Abrir um espaço de escuta ativa, no sentido de oferecer suporte emocional por meio de plantões psicológicos e atividades de orientação no campo de saúde mental também é imprescindível.
Mais do que atender à normativa é necessário equilibrar a saúde mental e a produtividade, tendo uma comunicação clara, oferecendo feedbacks construtivos, reconhecendo os esforços, promovendo a autonomia e a flexibilidade e criando uma cultura de cuidado e respeito. Essas ações reduzem o absenteísmo, a rotatividade, os custos com saúde, os conflitos e as reclamações trabalhistas, além de aumentarem a satisfação, a motivação, a criatividade, a inovação e a competitividade. Sem falar, que a organização se torna mais atrativa, melhora a sua reputação e reduz as dificuldades atuais com a contratação.
Setembro amarelo, saúde mental e NR-1, têm tudo a ver.


