Socorro: sou proprietário e meus liderados querem me demitir.

Por Brunella Tristão Simonelli

Você planejou a sua empresa por anos. Estudou, pesquisou e recebeu um retorno de viabilidade do plano de negócios. Sofre, contudo, com uma dificuldade comum a muitos fundadores: as armadilhas do envolvimento emocional com a sua organização.

Não que seja necessário um bloqueio afetivo para uma organização prosperar, pelo contrário. É, todavia, imprescindível internalizar que o significado que aquela empresa tem é diferente para cada um de seu time. É preciso, sobretudo, um automonitoramento para que esse apego não o torne um caçador de ações imperfeitas que seriam adotadas pela maioria das pessoas, sem orientação adequada e sem vivência prévia daquela experiência. Até porque, essa conduta centralizadora, sugaria a sua energia e o tempo que teria para planejar estrategicamente o crescimento do negócio.

Entenda: há nuances emocionais específicas que vêm junto com a propriedade e a gestão, que ao mesmo tempo que servem como força motriz, podem funcionar como um ponto cego, com alto poder de levar a decisões irracionais.

Julgar como inadequada toda atitude de um colaborador, simplesmente por ser diferente da que você tomaria é um exemplo muito recorrente. Sabemos que as ineficiências acontecem e a otimização dos processos poderá superá-las; faz parte da gestão. Afinal, a reincidência de erros e gargalos custa caro e você sabe muito bem disso.

Então, perceba: trabalhar a melhoria contínua com acompanhamento, treinamento e desenvolvimento das pessoas faz parte de uma gestão inteligente. Ter reações emocionais negativas ao que fizeram diferente do que você faria, ao contrário, demonstra no gestor – fundador ou não – uma necessidade de desenvolvimento da sua própria liderança.

Talvez você se pergunte o porquê desse tema ter virado artigo aqui na Conexão e Gestão. Eu explico: as consequências negativas desse comportamento têm sido cada vez mais relatadas. Elas aparecem, tanto nos diagnósticos organizacionais, muitas vezes até como motivo que levam as pessoas a se desligarem de uma empresa, quanto nas mentorias de carreira, quando os fundadores constatam que o crescimento do negócio depende do desenvolvimento de sua própria liderança.

Uma pequena mudança de atitude poderá auxiliá-lo a compreender a avaliação que as pessoas fazem da forma como você lidera e ela já é um bom começo para a sua transformação: a abertura para uma comunicação clara e honesta. As pessoas querem se comunicar com você, mas elas querem que você também deseje ouvi-las. Pense nisso!

brunella@talentorh.net

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