Por Brunella Tristão Simonelli
Maria sonhava em ser engenheira química, mas a pressão de viver em uma família de médicos fez com ela cedesse e vivesse a expectativa que as pessoas tinham para ela na medicina.
Joana cresceu desejando ser dentista. Casou-se cedo e logo vieram os filhos. Seu desejo permanecia vivo, porém seu marido não compactua com a ideia de que ela concilie a vida profissional e a familiar.
Pedro é um verdadeiro artista. As artes plásticas lhe convidam desde muito cedo. De origem bastante humilde, foi aprovado em um concurso público de nível médio em seu Estado. A segunda-feira é o pior dia para ele. O final de semana está longe e ele não seria maluco de abrir mão da estabilidade em sua carreira.
Maria, Joana e Pedro abandonaram os seus sonhos devido a outros atravessamentos: enfraquecimento da identidade, família e estabilidade. Vivem uma vida possível, entretanto, estão longe de suas verdadeiras escolhas.
Os dias são longos. A vida pode ser simbolizada por uma roda d´água: sempre gira em torno do mesmo eixo. Os anos passam como a água que bate e move, mas a essas alturas, gera pouco energia.
Nem sempre os sonhos que vão ficando distantes se relacionam à vida profissional. Às vezes são viagens, estilo de vida, uma cidade, uma ação beneficente, um limite, o alcance da autonomia ou até mesmo um tempo maior para si ou com alguém.
Muitos deles contam com engajamento, perseverança e mesmo assim não se realizam. E aqui nós temos algumas possibilidades: frustração; sensação de ter feito o que era preciso; ou um pouco de ambas. Tem, contudo, um peso que essas pessoas não carregam: o de não terem tentado ou ainda, o de ter vivido uma vida baseada no “e se eu tivesse feito aquilo”.
Os sonhos nos mostram onde estão os nossos desejos e sem eles a vida paralisa e se diminui perante as possibilidades. Não importa o tamanho do sonho; importa a energia gerada ao pulsar.
Há quem diga que o ano só começa depois do carnaval. Pois bem, é necessário descobrir onde estão e quais são os seus desejos. 2026 é só um ano e você tem uma vida inteira. Comece por reconectar-se aos seus sonhos e enquadrá-lo em uma realidade possível. Você pode até adiá-los, mas não precisa desistir deles.
Sonhar e desejar é salutar. Afinal, que vida é essa que sobrevive sem pulsar?


