Por Brunella Tristão Simonelli
Na última semana discutimos sobre o impacto que os avanços tecnológicos têm imposto ao nosso ritmo e à nossa relação com o mundo. Agora queremos refletir sobre como podemos reforçar o nosso aspecto humano diante de tantos cliques e rolagens de tela.
Reitero que não se trata de rejeitar a tecnologia. Aliás, diga-se de passagem, não queremos abrir mão dela. Entretanto, somos nós que devemos operar sobre os recursos tecnológicos e não o contrário. Se estivéssemos fazendo isso de forma eficiente não estaríamos tão ansiosos, depressivos e exautos; exaustos.
Por esse motivo precisamos recuperar o direito à pausa, certos de que isso não é sinal de improdutividade. Fazer algo que dê prazer e possibilite reconexão consigo é salutar e necessário. A pausa é uma necessidade para pensar de forma mais organizada, criar e decidir. Negligenciá-la é um caminho para a exaustão e não para a produtividade.
A busca incessante pelo crescimento e por se sentir produtivo como se perdêssemos competência ao respirar, só resultou nos índices alarmantes de adoecimento mental que já conhecemos. Estar em reunião não é estar presente, assim como, responder a uma mensagem de imediato não é se comunicar bem. A tecnologia até informa, mas é só o humano que comunica.
Precisamos desenvolver a autoconsciência e fazer uma reflexão sobre o que valorizamos em nós e no outro. Afinal, quando o valor da pessoa se confunde com performance, métricas e disponibilidade constante, algo se perde.
Para as organizações vale trocar a pergunta “quão tecnológicos somos?” por
“que tipo de pessoas estamos formando dentro desse ambiente altamente tecnológico?” Já sabemos que as organizações verdadeiramente maduras serão aquelas capazes de integrar tecnologia com consciência, crescer sem desumanizar e produzir resultados sem adoecer as pessoas.
A tecnologia nos leva mais rápido, sim, todavia, o custo dessa velocidade não pode ser ignorado. Sem consciência não questionamos se valerá a pena
chegar lá, quais desejos queremos bancar ou o preço que estamos dispostos a pagar para isso.
Dia desses, conversando com um empresário que se queixava do impacto do crescimento da organização para ele próprio, eu perguntei o que era inegociável para ele. A sua resposta foi imediata; ele não abria mão de almoçar com a família.
Saber o que é inegociável é apontar para o que é mais importante na sua vida, aquilo que tem mais valor. É um bom caminho, já que ocupando o lugar central as outras coisas se ajeitam ao redor.
E aqui eu deixo essa reflexão, caso você esteja sentindo dificuldades em balancear a vida e o ritmo que a tecnologia tenta impor a todo custo. Comece analisando o que é inegociável para você e traga o que descobrir para o centro da sua vida e de seu trabalho. Essa é uma descoberta de identidade e uma forma de planejar quem queremos nos tornar. Espero ter ajudado.


