Três estratégias para criar metas objetivas e necessárias para o Ano-Novo

Por Brunella Tristão Simonelli

A palavra Réveillon vem do termo francês réveiller e significa acordar ou despertar. É um momento especial que motiva alguns rituais, entre os quais a mentalização de sonhos, desejos e metas para o Ano-Novo. É necessário considerar, contudo, a diferença entre expectativas genéricas e aquilo que é importante, real e necessário para você. Saúde, paz, amor, realização profissional e dinheiro são exemplos daquilo que todo mundo quer.

Eu sei; transformar essas expectativas em algo factível é um grande desafio. Afinal, seguir as recomendações médicas para alcançar mais qualidade de vida parece não caber na sua rotina. Alcançar a realização profissional pode estar muito distante, quando pensamos na concorrência entre os profissionais e nas expectativas do mercado de trabalho. Realizar-se pessoalmente parece impossível, quando a cada ano parece haver menos tempo para a vida privada e familiar.

É na grandiosidade dessas dificuldades, que até parecem insuperáveis, que muitas pessoas desistem de fazer do Ano-Novo um momento de transformação. Mas, se definir as metas de forma mais objetiva parece muito difícil, por que não começar listando aquilo que você não quer para a sua vida?

Há algumas vantagens nessa prática, e eu posso lhe provar isso. Colocar em análise o que não se quer para a vida pode ajudar a definir o que se deseja, pois cria um contraste entre o estado atual e o estado almejado. Além disso, ajuda a priorizar o que é mais importante, uma vez que elimina o que é desnecessário ou prejudicial. Essa prática colabora, também, para superar os medos, as inseguranças e a procrastinação, pois mostra as consequências negativas de não agir ou de agir de forma inadequada.

E se essa sugestão ainda parece muito difícil para você, eu lhe convido a fazer outro exercício. Analise tudo aquilo que se repete na sua vida: o mesmo perfil de relacionamento amoroso, as mesmas frustrações com as amizades, os mesmos conflitos familiares, os mesmos impasses vivenciados no trabalho ou vários projetos iniciados sem uma finalização sequer.

A psicanálise considera que a repetição é um dos conceitos fundamentais para entender o funcionamento psíquico. É uma forma de o sujeito tentar elaborar situações do passado que são, no mínimo, conflitivas, sem que ele tenha consciência disso. Portanto, a repetição não é um simples ato mecânico. Ao contrário, refere-se à busca inconsciente de sentido e de satisfação.

Para romper com o ciclo da repetição, o sujeito precisa se confrontar com o seu desejo inconsciente, que é o que o impulsiona a repetir. Sendo assim, analisar aquilo que se repete pode ser importante para o sujeito que quer iniciar o ano com mais clareza e liberdade sobre o seu projeto de vida. Afinal, aquilo que se repete não é uma coincidência, mas sim um conflito que aprisiona. O gestor que se queixa do modo de funcionamento da sua equipe, mas rejeita todos que tentam promover a mudança, mostra que esse padrão comportamental é a forma inconsciente de se manter preso ao seu sintoma.

A repetição é o ponto de partida, e não o de chegada, para o sujeito que busca o seu próprio caminho. Então, antes da virada, perceba qual das três condições a seguir você vivencia no momento: a de ser capaz de definir o que deseja; a de listar o que não quer; ou, minimamente, a de considerar que os eventos que se repetem em sua vida mostram um nó a ser desatado. Acredite: desatar nós não é algo pequeno; é um importante movimento de transformação e de desenvolvimento. Que você tenha um feliz Ano-Novo!

brunella@talentorh.net

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