Por Brunella Tristão Simonelli
Com a ideia do eterno retorno, ou eterno retorno do mesmo, Friedrich Nietzsche nos convida a refletir sobre uma hipótese filosófica. Imagine se você ouvisse que tudo o que você já viveu — seus atos, seus encontros, suas dores, suas alegrias, suas conquistas — se repetirá infinitas vezes, eternamente?
Reflita comigo, ou melhor, com Nietzsche: “você não se prostraria e rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim falou?” Ou você já experimentou um instante imenso, no qual lhe responderia: “Você é um deus e jamais ouvi coisa tão divina!”. Se esse pensamento tomasse conta de você, tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria talvez; a questão em tudo e em cada coisa, “Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?”
Essa reflexão nos coloca diante do peso da própria vida. O danegação, quando aquele que se permitir a esse questionamento se desespera porque não quer a vida que tem; ou o da afirmação, uma vez que aquele que reflete não só aceita, mas quer viver a sua vida novamente e por incontáveis vezes.
Embora bem longe da grandeza e profundidade do pensamento nietzschiano, eu lhe convido a refletir sobre o que você repete. O convite é para que você tome posse das suas decisões no sentido de autorresponsabilizar-se por elas. Afinal, as suas escolhas lhe movem para outros caminhos ou lhe fixam em um movimento cíclico, tal qual a água da chuva que circunda o bueiro, sem conseguir se deixar escoar? São as mesmas queixas na vida profissional, independente do local de trabalho; o mesmo padrão de relacionamento afetivo; as mesmas perdas; e vários projetos que são finalizados (ou permanecem inacabados) da mesma maneira.
Se nada quebrar o ciclo, a tendência é a da repetição. O que pretendo trazer a reflexão é o que essa repetição, efetivamente, traz para você.
Esses dias ouvi em uma devolutiva de uma avaliação psicológica a seguinte frase: “eu não quero chegar no meu próximo aniversário da mesma forma”. E eu pude perceber a constatação do sujeito de que algo precisaria ser feito. A tomada de decisão é o início da motivação para o nosso movimento, seja em um sentido ou em outro.
Quanto tempo isso levará, qual resultado o sujeito irá obter, são questões prematuras e sem respostas. Entretanto, a decisão de não permanecer na inércia foi dada e esse é um passo que muitas pessoas sequer conseguem dar.
Há muitas possibilidades e é um desperdício quando uma pessoa vive uma vida inteira baseada na culpa que atribui ao outro (porque o outro isso ou aquilo) ou, ainda, vivendo na reflexão das possibilidades do “e se” (eu tivesse feito isso ou aquilo).
Então, primeiramente responda: “você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?”. Depois inicie o seu movimento e se não conseguir sozinho, não hesite em pedir ajuda. É assim que a gente deixar de ser a água da chuva que circunda o bueiro.


