O que quer uma mãe nos dias de hoje?

Por Brunella Tristão Simonelli

Esses dias, em um dos meus treinamentos, ouvi uma colaboradora e mãe dizendo, que todos os dias após bater o ponto da saída vai ao banheiro, porque não sabe quando conseguirá ir novamente depois de chegar em casa.

Em outro grupo uma colaborada lembra de quando os filhos eram ainda pequenos e só ter percebido que eles haviam raspados as sobrancelhas duas semanas após a peraltice de criança. O que relata em tom de piada nos dias de hoje foi fonte de sofrimento na ocasião em que ela se perguntou por onde andava o seu olhar durante todos os dias em que não notou a mudança em suas aparências.

Esses são dois exemplos que demonstram uma rotina na vida de mães trabalhadoras que muitas vezes é invisível. São relatos que nos fazem questionar o que mais se passa na vida de uma mãe que trabalha e que ninguém vê.

Já disse em outros momentos aqui nessa coluna que maternidade não é prejuízo na carreira e que falar da maternidade hoje é falar de uma mãe que trabalha. Portanto, a pergunta de Serge André (o que quer uma mulher?), que deu nome a uma de suas obras, continua atual. Mas, anterior a isso, precisamos nos questionar sobre o que as mulheres necessitam.

No âmbito social e familiar elas precisam que seja repensada a divisão dos papéis dentro da própria família, o que abrange o cuidado com os genitores, a gestão da casa e a própria educação dos filhos, tarefas direcionadas, na maioria das vezes, exclusivamente às mulheres.

No âmbito profissional precisam que as organizações ajudem no processo de adaptação ao trabalho pós maternidade. Tudo irá se ajeitar, contudo, essa adaptação precisa existir para a mãe, para a trabalhadora e para a criança. Que as empresas, ainda, tomem decisões com base em critérios mais objetivos, avaliando, por exemplo, a sua entrega e o seu desempenho, o que vai muito além da carga horária de trabalho.

É urgente criarmos espaços e momentos de discussão sobre como conciliar maternidade e carreira, porque, sim, é possível. Essa é mais uma questão de saúde mental. Eu falo de um esforço para obtenção de um equilíbrio entre essas duas esferas; jamais a perfeição. É isso que uma mãe quer nos dias de hoje, embora muitas ainda busquem um ideal que não existe.

Sendo assim, precisamos de estratégias que fortaleçam e acolham as mães trabalhadoras dentro de suas realidades, o que está muito distante das propagandas da TV ou da vida registrada por influenciadores digitais, por exemplo. E tudo isso parte do reconhecimento de suas vidas e suas jornadas como únicas, como é todo processo de ser e estar no mundo.

Saúde mental e trabalho sempre estarão em pauta. Acrescentemos, então, essa discussão na realidade da maternidade.

No mais eu lhe desejo um feliz Dia das Mães e dedico um abraço especial a três princesas. Que a vida seja generosa e a sensação de que os afetos sempre chegam nunca lhes faltem.

brunella@talentorh.net

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