Uma criança, vários sonhos e muitas(os) professoras(es)

Por Brunella Tristão Simonelli

Aquela criança tinha um sonho. Na verdade, vários; tantos quantos cabiam em sua criatividade.

Ela adorava brincar que estava salvando vidas e ficava empolgada, quando com materiais reciclados construía uma cidade. Com primas e primos fazia brigadeiros para vender na escola, dizendo ser uma criança empreendedora. Também fazia pulseiras de miçangas e ensinava aos avós como utilizar o smartphone. De mocinho e bandido ao pique-esconde, as travessuras eram verdadeiras peças de teatro.

Ao longo de sua infância ocupou várias profissões, já que em cada momento da vida era capturada por atividades que faziam mais sentido para ela.

A maior fonte de motivação e de criatividade vinha das atividades propostas em suas aulas. Durante a vida escolar teve várias(os) docentes que a fizeram sonhar e se orgulhar do que conseguia produzir.

Eventualmente, essa criança se sentia diferente. Definitivamente, ela não era como as demais de sua sala e de novo encontrou apoio e acolhimento para que a diferença não lhe tirasse o sentimento de pertencimento.

Em algumas atividades se frustrava, porque o resultado não saía como havia imaginado. E não é que, novamente, alguém lhe soprava novas perspectivas, caminhos ou a incentivava a desenvolver outras habilidades?

Percebeu que tinha uma forma particular e única de chegar a um objetivo, que embora muito diferente da maneira com que os outros faziam, aumentava a sua autoestima e lhe trazia senso de realização.

Os seus poucos anos lhe traziam uma vivência relativamente curta, mas com experiências de muito aprendizado, sobretudo, aquele que alimentava a perseverança.

A vida lhe ensinou a persistir e as suas professoras e seus professores foram a ponte entre o sonho e a realização. Ela lembra especialmente de alguns tios e de algumas tias, ao mesmo tempo em que também é lembrada.

Hoje, já adulta, ela até se sente insegura às vezes, contudo, lembra das vidas que salvou, das cidades sustentáveis que construiu, do quanto os seus brigadeiros e as suas pulseiras foram rentáveis e das mensagens lindas que seus avós enviaram usando a tecnologia. Recorda-se das peças que dirigiu, no entanto, os conceitos de mocinho e bandido são confusos e se esconder não é mais engraçado.

Seja em uma loja, em um reparo domiciliar, em um atendimento médico, psicológico ou fisioterápico, “naquele edifício moço” ou em uma reportagem de TV, lá está aquela criança, que desde muito cedo já demonstrava aquele talento.

Muito se fala em qualificação para o mercado de trabalho, todavia, poucas pessoas lembram que essa qualificação, do criar ao cooperar, se inicia na infância, um período que marca vidas. Cada trajetória é única; uma consequência dos encontros que se deram ao longo dessa caminhada.

Parece clichê, mas o que somos hoje foi construído dessas experiências e de seus efeitos. É fruto de cada não, de cada sim, ou daquele tente novamente, e tem muita influência da quantidade de vezes que ouvimos “você tem (ou não) talento para isso.”

Shakespere já dizia que “nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.”

Então, em alusão aos dias 12 e 15 de outubro, respectivamente, desejo muitas felicidades e realizações às crianças de hoje e às que cada um de vocês continuam sendo e, parabenizo cada professor(a) que plantou ou fez crescer um sonho.

De forma muito especial, presto a minha homenagem à maravilhosa, querida e generosa, Professora Maria da Graça Siqueira Pereira, a Tia Kita, que neste ano de 2024 completou 50 anos de construção de sonhos, digo, de docência. Com muita energia ela ainda leciona e por meio de sua paixão por educar reverencio demais mestras e mestres da cidade de Linhares/ES.

Feliz Dia das Crianças e um feliz Dia das(os) Professoras(es). Continuem sonhando, acreditando e regando sonhos.

brunella@talentorh.net

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